
O lançamento de Peaky Blinders: O Homem Imortal, da Netflix, levanta uma pergunta incômoda desde o primeiro minuto: esse filme realmente precisava existir? A resposta, ao que tudo indica, é não.
A produção nasce de uma decisão que soa menos como necessidade criativa e mais como hesitação. A história de Thomas Shelby já apontava, há muito tempo, para um desfecho inevitável, e talvez o único coerente com tudo que foi construído: o próprio personagem sendo responsável por seu fim. Um homem que venceu tantos inimigos, tratado quase como uma figura imortal, encontraria sua única fraqueza em si mesmo. Era um encerramento potente, simbólico e alinhado com a essência da série.
Mas o filme escolhe outro caminho, e, ao fazer isso, não apenas evita esse desfecho como também esvazia o impacto da trajetória do personagem. No fim das contas, Thomas Shelby encontra seu fim, mas quem mata é a Netflix.
Tecnicamente, é inegável que há competência. A estética segue refinada, a fotografia é elegante e a produção mantém o padrão alto que se espera da Netflix. No entanto, forma sem conteúdo não sustenta narrativa alguma.
O roteiro é fraco, o desenvolvimento é raso e o desfecho consegue ser ainda mais decepcionante.
As escolhas narrativas parecem vazias: conflitos sem peso, mortes sem impacto e explicações que não convencem. A inclusão de nazistas como antagonistas soa mais como um recurso fácil para provocar rejeição imediata do público do que como uma construção dramática relevante. Nem mesmo a presença de Rebecca Ferguson consegue acrescentar algo significativo à trama.
Se há algo que ainda se sustenta, é a performance de Cillian Murphy. Mais uma vez, ele entrega um Thomas Shelby magnético, lembrando por que o personagem se tornou tão marcante.
Ao seu lado, Barry Keoghan também se destaca, mesmo prejudicado por um personagem mal desenvolvido, que exige do público um esforço excessivo para preencher lacunas de contexto e motivação.

No fim, O Homem Imortal é um filme que não vai a lugar nenhum. Falta coração, falta propósito e, acima de tudo, falta respeito com o legado que carrega.
Para uma história tão intensa e um personagem tão icônico, o que era para ser um encerramento definitivo acaba se tornando apenas um epílogo vazio, e facilmente descartável.
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