
Chegando com toda a sua bagagem no mundo do audiovisual e da criação, o estreante do nosso quadro de entrevistas da vez é o Yasser, videomaker, produtor, editor e criador que vive o audiovisual em todas as etapas do processo. Da ideia ao corte final, ele está por trás da Bewondr, produtora onde transforma projetos em vídeo, e também dos conteúdos do Metrô Espacial e do Descarrilhando, onde fala de cinema e cultura pop.
Nesse papo, Yasser fala sobre como tudo começou no YouTube sem pensar em dinheiro, os perrengues que todo videomaker já viveu, bloqueios criativos, erros que dão frio na barriga e aquele momento inevitável de vergonha ao rever os primeiros vídeos. Também comenta sobre o prazer de criar podcasts, a importância do planejamento no audiovisual e as ideias que ainda estão guardadas, esperando tempo, coragem ou orçamento.
Uma conversa honesta sobre fazer vídeo, errar, aprender e continuar criando, mesmo quando o caminho sai um pouco dos trilhos.
Cara, acho que, na verdade, no começo eu não pensava muito nisso. Eu era novo, era um moleque, e eu via os vídeos de um canal no YouTube chamado Guilherme Gamer, que fazia conteúdo jornalístico de games, notícias e gameplays. Eu gostei daquilo e decidi que queria fazer também. Essa foi minha maior inspiração no começo. Foi onde eu comecei, e eu não pensava em dinheiro naquela época.
Depois, quando comecei a fazer conteúdo semanalmente, a pensar no que eu estava produzindo, numa espécie de grade editorial, talvez não com esses termos, mas levando mais a sério, eu aprendi que as pessoas ganhavam dinheiro com isso. Aí decidi seguir um pouco desse caminho e comecei a cuidar mais dos vídeos. Mas não teve um vídeo específico em que eu pensei “quero ganhar dinheiro com isso”. Eu comecei porque gostava, porque queria produzir aquele conteúdo. Só depois eu vi que dava para transformar isso em um negócio, ganhar dinheiro e viver disso.
Essa pergunta é muito difícil. Na verdade, eu nem vejo eles exatamente como filhos. Para mim, a Bewondr, a produtora de vídeo, é o meu trabalho. É como se fosse a mãe. O Metrô Espacial é o filho, e o Descarrilhando é o filho do Metrô Espacial.
A Bewondr é diferente porque é a produtora que administra tudo. A gente atende clientes, faz publicidade, produz conteúdos originais e, claro, é através dela que produzimos o Metrô Espacial e o Descarrilhando. Já o Metrô e o Descarrilhando são conteúdo. Entretenimento, informação, conversa com o público.
O Descarrilhando é mais recente e eu produzo menos conteúdo porque é mais difícil. Podcast é mais longo, exige temas mais profundos. Mas eu confesso que não achava que fosse gostar tanto do formato até começar a produzir. Hoje ele é muito forte para mim. Eu sinto mais prazer pensando nos temas, estudando e conversando em bate-papos mais profundos do que, necessariamente, fazendo um vídeo do Metrô Espacial. Mas eu gosto dos três. E se eu tiver mais projetos no futuro, provavelmente vou gostar deles também.
Bloqueio criativo é complicado, porque não existe uma solução definitiva. Geralmente, eu tento me afastar um pouco do que estou criando. Às vezes, alguns dias ou semanas já ajudam a esfriar a cabeça e sair da bolha. Quando você volta, vem mais preparado.
Quando não dá para se afastar tanto, eu tento fazer outra coisa, relaxar a mente, mudar o foco. Outra solução é procurar referência. Ver o que outras pessoas estão fazendo naquele nicho ou em temas próximos. Não para copiar, mas para se inspirar. Muitas vezes, pegar algo que já foi feito e fazer do seu jeito ajuda a sair do bloqueio. Mas não acho que exista uma fórmula definitiva.
Já passei por vários perrengues, principalmente em gravações de curta-metragem. Às vezes faltava alguma coisa no set e não dava para voltar. Outras vezes chegávamos a um local com horário limitado e muita coisa para gravar, e simplesmente não dava tempo. Aí era preciso cortar cenas do roteiro na hora, improvisar, e isso afeta o resultado final.
Teve um caso que foi um dos momentos mais tensos da minha vida no audiovisual. Depois de um dia inteiro exaustivo de gravação, eu fui fazer o backup do cartão de memória e apaguei tudo. Todo o material. No fim, conseguimos recuperar o cartão e deu tudo certo, mas o susto foi enorme.
Também já aconteceu de planejarmos oito horas de gravação e ficarmos quatorze, dezesseis horas. Todo mundo cansado, estressado, calor, muitas luzes, espaço fechado. Um caos. Mas no final, deu certo.
Em termos de conteúdo do Metrô ou do Descarrilhando, não tem algo específico. No audiovisual, a gente sempre se inspira. Você vê um tema legal, explora de outra forma, aprofunda, conecta com o seu nicho.
Agora, em termos de filmes e séries, com certeza. Já assisti muita coisa e pensei “como eu queria ter feito isso”. Breaking Bad é um exemplo óbvio, é uma série maravilhosa. Também tem séries mais simples, como I’m Not Ok With This, que eu gostava bastante. Acho que todo videomaker passa por isso. Às vezes é algo tão único que não dá para copiar, só se inspirar.
Sendo sincero, não. Eu olho para vídeos antigos e sinto aquela vergonha do eu do passado. A qualidade era ruim, eu era uma criança fazendo vídeo. Mas eu não gostaria de esquecer nem apagar nada. Tudo faz parte da construção. Foi com esses vídeos que eu aprimorei técnicas, marca e estilo. Nos curtas, também tem coisas que hoje eu faria diferente, mas nada que eu queira apagar.
Acho que já passei por todos esses momentos. Hoje, eu diria que está com edição suave, com efeitos. Mas sempre tem fases mais pesadas, fases minimalistas e momentos de preguiça em que você salva de qualquer jeito e segue em frente.
Sem dúvida, apagar o cartão de memória. No geral, meu ambiente de gravação é controlado. Se uma luz falha, você resolve. Se falta bateria, grava depois. Já aconteceu de gravar tudo sem ligar o microfone, ou a câmera desligar no meio, ou algo ficar fora de foco. Dá trabalho, mas resolve. Perrengue grande mesmo foi esse erro humano com o cartão.
Eu ainda sinto que tenho muito a crescer. Videomaker faz de tudo. Mas acho que um diferencial é a formação em cinema. O conhecimento técnico e teórico, da história do cinema, dos movimentos, da narrativa, muda completamente a forma como você produz. Vejo muita gente focando só em ferramenta, tutorial e tendência, sem pensar em planejamento, significado e subtexto.
E talvez o maior superpoder seja algo da Bewondr como produtora. Desde o início, a ideia sempre foi criar projetos que a gente goste de fazer, que sejam autênticos e criativos. Não só porque um cliente pediu, mas porque faz parte de quem somos. Seja publicidade, filme, série, YouTube ou podcast. E quando isso envolve colaboração com parceiros, como o Rapidinhas do Cinema, é ainda mais gratificante.
Eu passo 90% do tempo editando, que é uma parte que eu gosto muito. Mas não existe essa ideia de que a magia acontece na edição. A edição aprimora, ressalta, mas tudo depende de uma boa gravação e de um bom planejamento. Não dá para gravar de qualquer jeito e resolver depois. A edição precisa ser pensada antes, ainda na gravação.
Muita coisa. Muitos episódios do Descarrilhando que exigem pesquisa extensa. Colaborações que precisam de mais planejamento. Curtas, documentários, talvez outros canais no YouTube. Já é difícil administrar os projetos atuais, então adicionar mais pode prejudicar tudo.
Eu gostaria muito de voltar a fazer curta-metragens, trabalhar com narrativa cinematográfica, contar histórias em séries e filmes. Nunca fiz um longa-metragem, mas seria incrível. Isso ainda não rolou, mas pode acontecer no futuro.
A trajetória de Yasser é marcada por paixão, aprendizado constante e uma relação honesta com os desafios do audiovisual. Para acompanhar de perto seus projetos, reflexões e conteúdos autorais, vale conhecer o Metrô Espacial, o Descarrilhando e o trabalho desenvolvido pela Bewondr nas redes e plataformas digitais.
Bewondr – https://bewondr.com/
Metrô Espacial – https://www.youtube.com/@metroespacial
Descarrilhando Podcast – https://www.youtube.com/@Descarrilhando
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