Qual é a sensação da morte? Essa é apenas uma das reflexões instigantes oferecidas por Bong Joon-ho em Mickey 17, mas que acaba ofuscada, assim como as demais, pelo tom satírico proposto pelo diretor – e digo isso no pior sentido da palavra.
Além das questões filosóficas, o filme abre margem para debates sobre identidade, moralidade e fé, impulsionados pela crítica social presente no texto – uma característica recorrente na filmografia de Bong, como visto em Parasita (2019) e Incoerência (1994).
O problema é que o tom pastelão, de certa forma, minimiza a brutalidade da missão imperialista em Niflheim, colocando-a em segundo plano dentro de um contexto em que Kenneth Marshall (personagem de Mark Ruffalo, claramente uma sátira exagerada de Donald Trump) é apresentado como o único grande vilão da história. Esse enfoque superficial ignora os mecanismos estruturais da colonização, tratando-a quase como um pano de fundo cômico. O “final feliz” nos moldes hollywoodianos reforça a sensação de que o longa poderia ser mais incisivo e desafiador, mas Bong parece mais interessado em suavizar o discurso do que em desmantelar as lógicas imperialistas da trama.
Ainda assim, há bons momentos dentro da abordagem proposta, especialmente graças à sublime e certeira atuação de Robert Pattinson, à alegoria política construída por Ruffalo e à precisão cênica de Toni Collette. No entanto, fica a sensação de que Mickey 17 poderia ter sido um comentário muito mais ácido e contundente sobre a exploração e a desumanização inerentes à colonização, em vez de apenas utilizá-las como pano de fundo para sua sátira.
Em um futuro distante, Mickey Barnes (Robert Pattinson) é um “descartável” – um clone humano criado para substituir trabalhadores sacrificáveis em missões espaciais de alto risco. Quando sua mais nova versão, Mickey 17, descobre que seu antecessor ainda está vivo, ele se vê em um dilema existencial enquanto lida com uma colônia interplanetária hostil, uma missão imperialista disfarçada de exploração e um sistema que enxerga sua vida como substituível. Com um elenco estrelado e a direção marcante de Bong Joon-ho, Mickey 17 mistura ficção científica, sátira e reflexão filosófica em uma jornada única pelo espaço.
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