
Com estreia marcada no Brasil para o dia 8 de janeiro com distribuição da Imovision, Águias da República encerra a “Trilogia do Cairo” do diretor egípcio Tarik Saleh, aclamado pela crítica após sua exibição em festivais internacionais, como o Festival de Cannes e a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Águias da República (2025) é um suspense político egípcio sobre um ator famoso forçado a estrelar um filme glorificando o ditador do país, revelando chantagens, romance proibido com a esposa de um general e a vigilância do Estado. O mesmo satiriza líderes autoritários e narcisistas, como o atual presidente egípcio Abdel Fattah el-Sisi, usando a indústria cinematográfica como pano de fundo.
Vale destacar dois grandes filmes do diretor: O Incidente no Nile Hilton (The Nile Hilton Incident, 2017):Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance e Garoto dos Céus (Boy from Heaven, 2022): Ganhador do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes e aclamado pela crítica. E agora, o recente Águias da República que aborda diretamente o presidente egípcio atual e que estreou no Festival de Cannes.
Contexto político
Por conta da tensão política no Egito, o longa foi gravado em Istambul (Turquia) e Gotemburgo (Suécia), inclusive o próprio diretor Tarik Salek foi expulso de seu país desde 2015 pelo atual presidente, retratado no filme, Abdel Fattah el-Sisi.
Portanto, o pano de fundo da obra não é mera coincidência. “Quando El-Sisi chegou ao poder por meio de um golpe militar em 2013, a primeira coisa que fez foi decidir que o exército assumiria o controle da indústria cinematográfica. Como medida inicial, fez uma série de televisão de propaganda sobre a ascensão de El-Sisi ao poder.”, contou Salek em entrevisata ao The Hollywood Reporter.
O longa não foi exibido no Egito e é o representante oficial da Suécia para o Oscar 2026. Inclusive, no país europeu, a obra constrói um sucesso consistente e lidera as nomeações no Guldbagge Awards, prêmio entregue anualmente pelo Instituto Sueco do Cinema, com 11 nomeações, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator Principal.
Sobre a Imovision:
Com mais de 35 anos de atuação, a Imovision se consolidou como uma das maiores incentivadoras do cinema de qualidade no Brasil, tendo lançado mais de 600 filmes. O catálogo da distribuidora inclui obras de diretores consagrados e filmes premiados nos mais prestigiados festivais de cinema, como Cannes, Veneza, Toronto e Berlim. A Imovision foi responsável por introduzir cinematografias raras e movimentos internacionais expressivos no Brasil, como o Dogma 95 e o cinema iraniano. Desde 2020, a distribuidora expandiu seu catálogo para o serviço de streaming, Reserva Imovision, que conta com uma curadoria escolhida a dedo, divulgando narrativas do mundo inteiro
Sobre o diretor:
Tarik Saleh nasceu em Estocolmo, na Suécia, em 1972. Começou a carreira artística como grafiteiro e realizando curtas de animação. Ao lado de Erik Gandini, dirigiu os documentários “Sacrificio, who Betrayed Che Guevara?” (2001), premiado no Festival de Havana, e “Gitmo – New Rules of War” (2005). Entre seus principais trabalhos estão os longas ficcionais “Metropia” (2009, 33ª Mostra), exibido em Annecy e premiado em Veneza, “Tommy” (2014), “O Incidente no Nile Hilton” (2017, 41ª Mostra), vencedor do grande prêmio do júri no Festival de Sundance, “Contrato Perigoso” (2022) e “Garoto dos Céus” (2022, 46ª Mostra), vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes.
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