
Atenção: este artigo contém spoilers da do filme. Caso não queira ser surpreendido, volte após assistir a produção.
Quando Steven Spielberg retorna ao gênero da ficção científica e à temática alienígena, as expectativas naturalmente ficam elevadas. Afinal, estamos falando do diretor de clássicos como E.T. the Extra-Terrestrial e Close Encounters of the Third Kind. Infelizmente, Dia D acaba se tornando uma decepção justamente por desperdiçar uma premissa que tinha potencial para entregar uma das discussões mais interessantes da carreira recente do cineasta.
O principal problema do novo filme de Steven Spielberg está em suas escolhas narrativas. Em vez de explorar profundamente o impacto da revelação da existência de vida extraterrestre na humanidade, o longa opta por seguir o caminho de um thriller de perseguição e espionagem que ocupa grande parte de sua duração.
A mudança de foco não seria necessariamente um problema, mas a execução deixa a sensação de que o filme ignora seus temas mais fascinantes. Questões que poderiam gerar debates ricos acabam sendo deixadas em segundo plano para dar espaço a uma trama que raramente atinge o mesmo nível de interesse.
O roteiro apresenta diversas ideias promissoras, mas poucas recebem o desenvolvimento necessário. Conceitos importantes surgem sem contexto ou aprofundamento, enquanto a narrativa acumula pontas soltas do início ao fim. Além disso, o filme recorre frequentemente a conveniências de roteiro e soluções simplistas para resolver conflitos, enfraquecendo a credibilidade da história.
Se o roteiro decepciona, a parte técnica mantém o padrão de qualidade esperado de Spielberg. A direção é segura, a fotografia entrega belas imagens e a produção possui alto nível técnico.
O elenco também ajuda a sustentar parte da experiência. Emily Blunt entrega uma das atuações mais marcantes do filme, enquanto Josh O’Connor e Colman Domingo também oferecem boas performances.
Ainda assim, nem mesmo um elenco talentoso consegue compensar os problemas estruturais de uma história que parece incompleta.
O aspecto mais frustrante de Dia D está justamente em sua conclusão. Durante boa parte da projeção, o filme levanta questões fascinantes sobre como a sociedade reagiria à confirmação da existência de extraterrestres, quais seriam os impactos políticos dessa descoberta e como a população lidaria com a verdade em uma era dominada por desinformação, inteligência artificial e fake news. Porém, quando finalmente chega o momento da grande revelação, o filme encerra sua história.
A sensação é de que toda a narrativa funciona apenas como uma preparação para um acontecimento que o público nunca vê ser realmente explorado. As consequências, que deveriam representar o verdadeiro coração da trama, ficam completamente fora de cena.
No fim, Dia D é um filme repleto de boas ideias, mas que nunca desenvolve plenamente nenhuma delas. Steven Spielberg demonstra mais uma vez seu domínio técnico e sua capacidade de criar grandes conceitos, mas o roteiro não consegue transformar essas ideias em uma narrativa satisfatória.
Para quem procura uma ficção científica focada em reflexões sobre o impacto da descoberta de vida extraterrestre, o filme provavelmente deixará uma sensação de oportunidade perdida. O resultado é uma obra visualmente competente e bem atuada, mas narrativamente vazia e incompleta.
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